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Olhar Luso sobre a Finlândia - Edgar Carreira - Embaixada da Finlândia, Lisboa : Actualidades

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Notícias, 20-11-2017

Suomi portugalilaisin silmin - Edgar Carreira

Em 2014, quando fui estudante Erasmus na Universidade de Helsínquia, despertei para o espírito das festas académicas. Foi numa dessas festas que o meu amigo Memo chegou com uma estudante finlandesa diante de mim e, apontando para mim, lhe diz a ela: “Vês! Este tipo está envolto num êxtase absoluto e nem sequer bebe ou fuma”. Largando um riso de incredulidade, a finlandesa retorquiu com convicção: “Não, Memo! Não vês que ele está alcoolizado?” E aí foi a minha vez de usar a palavra, isto tudo sem parar de rir e de saltar: “De facto, eu nunca bebi, fumei, ou consumi estupefacientes na minha vida.” A estudante ficou na mesma: para ela, a minha celebração não se entendia sem o auxílio de `algo mais´.

Fotografia: Edgar Carreira.
Edgar Carreira em Helsínquia no intercâmbio Erasmus em 2014.

A 20 de abril de 2014, e logo depois de o Benfica conquistar o 33º título, disse ao meu amigo Estratega, que me convidou e acompanhou para os festejos: “Vou para a rua começar a gritar. Já não aguento!” Assim o fiz, e mal começo os meus cânticos fervorosos naquele fim de tarde, dois adolescentes apressam-se a, de forma educada, conter os meus cânticos dizendo: “Meu! Não faças barulho! Já é tarde! As pessoas estão a dormir.” Eram umas 21h, e foi a partir daí que seguimos eu e o Estratega para uma noite de festa `dos Diabos´. Acompanhados por um dragão, o Raimo.

Foi precisamente com este último que segui mais tarde para um pub, onde entrei com cânticos e com a lembrança a todos os presentes sobre quem é o Campeão de Portugal. De repente, um finlandês aproxima-se e indaga-me: “queres uma cerveja?” Educadamente, agradeci e recusei, informando-o mesmo de que não bebo álcool. Mas ele insistiu com a oferta de uma cola. Aí não tive a indelicadeza de declinar a sua oferta. Atónito, e enquanto o finlandês pedia a bebida para mim, pergunto ao Raimo a razão pela qual um desconhecido me oferece uma bebida. Ele foi peremptório: “Quando chegas a um local e és um bocado fora do comum, alguns oferecem-te uma bebida”.

Poderá haver festa sem dança? Para alguns finlandeses, a resposta é inequívoca: não! Por isso mesmo, em junho de 2016 fui desafiado e atraído para uma dança pela Rainha da Bachata finlandesa: logo eu que nunca tinha dançado nem me imaginava a fazê-lo! Mas ela foi muito simpática e paciente (seria aquilo o `sisu´?), e apenas se ria à medida que eu pedia desculpas pelas minhas parcas competências para o baile. Mais tarde tive que retribuir todo o seu `sisu´, nomeadamente quando ela dançou com o Príncipe da Bachata finlandesa. Diz-se que nalgumas sociedades antigas o sopro representa a alma: foi assim que, de um sopro, meti o meu coração a cantar para eles a música `Darte un Beso´ sob uma chuva incessante. E já que falo em beijos: regra geral, nem um beijo se costuma dar na Finlândia, quanto mais os dois da típica saudação portuguesa e de outros países de cumprimento dada geralmente entre duas pessoas. Ao invés, na Finlândia tem-se por hábito dar o `seco´ aperto de mão, que creio piamente contrastar com a sede de festa que transcorre as veias e galga as almas dos finlandeses.

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actualizados 20-11-2017


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